Frota deve triplicar em até 35 anos

O número de automóveis em Fortaleza vai triplicar até 2050, segundo levantamento feito pelo Departamento Estadual de Trânsito no Ceará (Detran/CE). De acordo com o órgão, a frota dos chamados veículos leves vai pular dos atuais 590,2 mil carros e caminhonetas (tipo Hilux) para 1,5 milhão em 35 anos. Hoje, a Capital possui um carro para cada quatro habitantes ou seja, somente esse tipo de modal pode transportar toda a população de Fortaleza, sem nem utilizar motos ou ônibus.

Há dez anos, essa proporção era de um para cada oito. Em 2010, foi de um para seis. Ou seja, a velocidade do crescimento da frota é maior do que o da população. São 44,4 mil novos automóveis e caminhonetas por ano na Capital ou 3,7 mil por mês. No Estado, a relação é de um automóvel e caminhoneta para cada oito habitantes.

Atualmente, a frota total de veículos em Fortaleza é de 944,5 mil veículos, segundo dados do Detran/CE de outubro. Nessa velocidade, a Capital deverá passar de um milhão de veículos até o primeiro semestre de 2016.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) só divulga projeção populacional anualmente. No entanto, estudo divulgado pelo Ministério das Minas e Energia indica que o Brasil deverá ter em 2050 um carro leve para cada dois habitantes. Essa relação atual é de um para cada cinco pessoas.

Segundo o Ministério, essa projeção foi incluída no Plano Nacional de Energia (PNE) 2050, que vem sendo debatido entre governo e sociedade. Em Fortaleza, o crescimento acelerado da frota também preocupa e, segundo especialistas e técnicos, exigirá grandes desafios na infraestrutura urbana.

Rodízio

Para o promotor do Núcleo de Atuação Especial de Controle, Fiscalização e Acompanhamento de Políticas do Trânsito (Naetran), do Ministério Público Estadual (MPE), Gilvan Melo, não existe outra saída a curto prazo senão a implantação do rodízio de veículos. “Estou mais convencido sobre isso a cada dia que passa. Todos nós sabemos que as medidas tomadas são paliativas e não resolvem o problema do trânsito”, aponta ele.

Segundo o promotor, obras como viadutos e túneis diminuem os constantes congestionamentos em locais pontuais. “Resolvem ali e estouram a três ou quatro quarteirões. Então, não existe solução”, frisa, acrescentando que a Lei 12.587, de janeiro de 2012, que institui políticas públicas para a mobilidade urbana, autoriza os municípios a implantar rodízio. “Então, não é feito aqui porque a Prefeitura nem cogita”, afirma.

O titular da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos da Prefeitura, Arcelino Lima, confirma que o rodízio nunca chegou a ser estudado pela gestão municipal por se tratar de medida “ineficiente”. Ele diz que isso só serviria para aumentar ainda mais a frota de veículos. “Ou seja, além de causar muita polêmica, ainda estaríamos na contramão do objetivo, que é de viabilizar a mobilidade urbana de forma adequada”, analisa.

Arcelino garante que a Prefeitura tem obras a curto, médio e longo prazos para isso. E informa que além dos viadutos, túneis, implantação das BRTs, e faixas exclusivas para ônibus e bicicletas, elabora pesquisa domiciliar para ser feita em 2015, aos moldes do Censo/IBGE.

“A ideia é saber pontos como a demanda de origem e destino das viagens utilizando transporte público, entre outros. Isso nos dará parâmetros para medidas e políticas de mobilidade”, adianta. A pesquisa está em fase de elaboração do edital. A licitação será feita ainda no primeiro semestre de 2015 e realizada no segundo semestre. “O objetivo é ter os resultados no início de 2016”, avisa.

Arcelino argumenta que o trabalho a ser feito é incentivar cada vez mais pessoas a utilizar o transporte público na Capital. O Plano Nacional de Energia aponta que, dependendo da evolução do trabalho realizado nos municípios em relação à mobilidade urbana, o aumento do número de carros pode não ser acompanhado pela sua intensidade de uso. Ou seja, mais pessoas poderiam ter carros, mas apenas para utilização eventual ou para lazer, não com o objetivo de se locomover diariamente.

Combustível

O Ministério das Minas e Energia prevê, também, que a utilização da gasolina e do etanol atingirá seu ápice nas próximas décadas. No entanto, em 2050, todos os automóveis novos vendidos no Brasil serão abastecidos por energia elétrica ou, pelo menos, híbridos, funcionando com eletricidade e outra fonte derivada do petróleo.

Na sua previsão, a partir da década de 2040, com a melhoria de eficiência, o consumo de combustíveis leves será reduzido. Mesmo assim, estima-se que ele dobrará em 30 anos.

Lêda Gonçalves
Repórter

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Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/