Tempo de deslocamento casa-trabalho é 31,7min

Quem precisa se deslocar diariamente pela capital cearense sabe: o trânsito está cada dia mais difícil. Apesar da situação, a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) tem o segundo menor tempo de deslocamento casa-trabalho entre as nove principais regiões metropolitanas do País e mais o Distrito Federal, perdendo apenas para Porto Alegre. A média de tempo gasto, que era de 30,9 minutos em 1992, passou para 31,7 minutos em 2012, uma variação de 2,8%, a menor entre as localidades analisadas.

Pesquisa revela que 45,2% dos domicílios cearenses possuem automóveis ou motocicletas para deslocamento. Em 20,7% das residências do Ceará, existem carros na garagem e o número de motos chega a 30,2 % dos lares
As informações são dos indicadores de mobilidade urbana da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012, divulgado, ontem, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No ranking, o maior tempo gasto de casa ao trabalho é no Rio de Janeiro, com 47 minutos, seguido de São Paulo, com 45,6 minutos. Em relação às variações de tempo de 1992 a 2012, os piores resultados ficaram com Belém (35,4%) e Salvador (27,1%).

Entre as pessoas que levam mais de uma hora para se deslocar ao trabalho, o levantamento apontou que, na Grande Fortaleza, os números passaram de 8,1% a 9,8% em 20 anos, uma variação de 1,69 pontos percentuais, novamente a menor entre as regiões analisadas.

De acordo com o estudo, nos últimos 20 anos, os tempos de viagem nas regiões metropolitanas tiveram crescimento três vezes maior do que os gastos em outras áreas, mostrando que problemas de deslocamento se agravaram com o tempo e que as obras de mobilidade urbana ainda não foram suficientes para sanar o problema.

Em se tratando de posse de veículos, a pesquisa revela que 45,2% dos domicílios cearenses possuem automóveis ou motocicletas. A proporção de 2012 representa um aumento de 14,90 pontos percentuais comparado a 2008. O crescimento no Estado ficou acima da média nacional (54%), que apresentou nove pontos percentuais no período.

Em 20,7% das residências do Ceará existem carros na garagem. O número de motos chega a 30,2% dos domicílios. O maior acesso da população aos veículos motorizados é apontado pelo estudo como um desafio aos gestores dos sistemas de mobilidade urbana, uma vez que o maior número de veículos significa mais acidentes, poluição e congestionamentos.

Obras

Em relação às obras de mobilidade urbana na Capital, a professora do departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Nadja Dutra, acredita se tratar de ações que visam soluções imediatas, mas não a médio e longo prazo. “Não podemos olhar a cidade apenas naquele momento”, ressalta.

Para ela, priorizar um transporte público de qualidade é ideal, de forma a beneficiar a todos. “É preciso cobrir a cidade com um sistema mais eficiente e rápido e implantar corredores de ônibus segregados e não compartilhados como são hoje”. Em contato com a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) e a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), as assessorias de comunicação informaram que os órgãos se pronunciarão sobre a pesquisa apenas após acesso e análise dos dados fornecidos.

Fonte: Diário do Nordeste